Roraima lidera ranking nacional de bebês sem registro civil no ano de nascimento, aponta IBGE.
- Hermes Vissotto

- há 1 dia
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BOA VISTA — Roraima registrou a maior taxa de sub-registro de nascimentos do Brasil, com um índice de 13,86% no ano, segundo dados das Estimativas de Sub-registro de Nascimentos e Óbitos divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual alarmante é cerca de 14 vezes maior que a média nacional, que fechou no patamar histórico mais baixo desde 2015, com 0,95%.
Para efeito de comparação, o estado do Paraná apresentou o melhor desempenho do país, com apenas 0,12% de sub-registro, um índice cerca de 115 vezes inferior ao registrado em solo roraimense.
O sub-registro de nascidos vivos compreende as crianças que não foram registradas em cartório dentro do prazo legal, que se estende até março do ano seguinte ao nascimento. Na prática, o indicador traduz a "invisibilidade estatística" de centenas de recém-nascidos, que ficam temporariamente privados do acesso pleno a direitos fundamentais, serviços de saúde e programas de assistência social.
Interior do estado concentra piores índices do país
O levantamento do IBGE expõe uma realidade ainda mais severa no interior de Roraima. Três municípios do estado figuram entre os quatro piores rankings de sub-registro do Brasil:
Alto Alegre: Ocupa a 2ª posição nacional, com 67,97% de bebês não registrados no ano de nascimento.
Amajari: Aparece em 3º lugar no país, com uma taxa de 60,10%.
Uiramutã: O município com a maior proporção de população indígena do Brasil está na 4ª colocação nacional, com 55,58%.
De acordo com o instituto, populações que enfrentam maior vulnerabilidade social, como comunidades rurais e povos indígenas, sofrem o impacto direto de barreiras geográficas, escassez de cartórios de registro civil em áreas isoladas e a ocorrência de partos domiciliares sem o devido acompanhamento institucional.
A precariedade dos indicadores de registro civil caminha lado a lado com os desafios socioeconômicos da região. Dados recentes do Índice de Progresso Social (IPS) apontaram que Uiramutã amarga, pelo terceiro ano consecutivo, a pior pontuação de qualidade de vida do país. Alto Alegre (5.568ª posição) e Amajari (5.566ª colocação) também aparecem na lista dos 20 piores desempenhos do território nacional em qualidade de vida.
Subnotificação no sistema de saúde e óbitos
Os gargalos na infraestrutura de atendimento em Roraima também se refletem no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc). O estado apresentou a maior taxa de subnotificação de saúde do país, com 2,73%, um reflexo direto das dificuldades de cobertura e da falta de alimentação de dados em áreas de difícil acesso. A média nacional neste quesito foi de 0,39%, tendo o Distrito Federal como referência positiva (0,05%).
O panorama de sub-registro estende-se, ainda, às notificações de falecimentos. O IBGE estimou que a taxa de sub-registro de óbitos em Roraima foi de 10,91%, posicionando o estado entre as cinco maiores proporções de mortes não registradas oficialmente em cartório no Brasil.

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