Roraima Lidera Assassinatos de Indígenas no Brasil e Evidencia Escalada da Violência Territorial.
- Hermes Vissotto

- há 12 minutos
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Com 82 mortes registradas em 2025, um salto de mais de 43% em relação ao ano anterior, o estado de Roraima consolida-se no topo do ranking da violência contra os povos originários. A invasão garimpeira, a circulação atípica de armas de fogo nos territórios e as fragilidades crônicas na atenção básica de saúde delineiam uma grave crise socioambiental e de direitos humanos.
Destaques Numéricos do Relatório (2025)
82 assassinatos de indígenas em Roraima em 2025 (liderança nacional), contra 57 casos em 2024 (aumento de 25 vítimas / +43,8%).
258 assassinatos no Brasil inteiro, sendo Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37) os estados com maior número de casos após Roraima.
158 mortes de crianças indígenas de 0 a 4 anos em Roraima em 2025 (segunda posição nacional, atrás do Amazonas com 306), das quais grande parte por causas evitáveis como desnutrição, pneumonia e diarreia.
O cenário da segurança humana e da integridade territorial dos povos originários em Roraima atingiu patamares alarmantes. Dados do relatório anual Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, publicado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), revelam que Roraima liderou o ranking nacional de assassinatos de indígenas no ano de 2025.
Segundo o levantamento, elaborado com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), secretarias estaduais de Saúde e Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai), os fatores cruciais para essa escalada incluem:
Avanço e Migração do Garimpo Ilegal: A pressão predatória sobre a Terra Indígena Yanomami e a Raposa Serra do Sol permanece crítica. A desarticulação pontual do garimpo em certas áreas provocou a migração dos invasores para novas regiões dos territórios.
Proliferação de Armas nas Aldeias: O aliciamento e a presença de invasores armados introduziram armas de fogo no cotidiano comunitário, tornando conflitos internos muito mais letais.
Desassistência na Saúde Básica: A precariedade do atendimento de saúde pública amplia a vulnerabilidade de crianças e idosos diante de enfermidades perfeitamente evitáveis e curáveis.
Casos Emblemáticos Citados no Relatório
Itaci Yanomami (25 anos): Morto em novembro de 2025 durante confronto com garimpeiros armados na região da Taboca (TI Yanomami).
Adolescente Yanomami (16 anos): Morto em dezembro de 2025 no Alto Catrimani, em conflito intercomunitário agravado pela presença de armas de fogo distribuídas pelo garimpo.
Execução no Abrigo Pintolândia (Boa Vista): O casal Warao (Yerferson Montilla Matos e Myiela Perez Cardona) foi executado a tiros dentro de seu barraco de lona na frente dos 7 filhos; um bebê de 4 meses também foi baleado.
Posicionamento do Governo Federal
Em nota oficial encaminhada via Ministério dos Povos Indígenas (MPI), o Governo Federal enfatizou que a proteção territorial é pilar indispensável para a redução da violência. A gestão ressaltou a retomada das demarcações (com 20 Terras Indígenas homologadas somando 3,2 milhões de hectares e 21 portarias declaratórias) e ações de desintrusão em 12 Terras Indígenas beneficiando diretamente 67 mil indígenas, reiterando a necessidade de atuação permanente do Estado no combate às atividades ilícitas e na responsabilização dos infratores.

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