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REPORTAGEM ESPECIAL | DIA NACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura
Margarida Maria Alves, líder sindical cujo legado de luta no campo deu origem ao Dia Nacional dos Direitos Humanos e à Marcha das Margaridas. — Foto: Reprodução / Acervo Histórico
Margarida Maria Alves, líder sindical cujo legado de luta no campo deu origem ao Dia Nacional dos Direitos Humanos e à Marcha das Margaridas. — Foto: Reprodução / Acervo Histórico

Neste 12 de agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional dos Direitos Humanos. A data, longe de ser apenas uma marca no calendário, representa o resgate de uma história de coragem, enfrentamento às desigualdades e busca incansável por justiça social no interior do país.  


Por trás dessa homenagem nacional está a memória de Margarida Maria Alves, uma das mulheres mais emblemáticas da história do sindicalismo e dos direitos humanos na América Latina.


A Luta Sem Medo no Brejo Paraibano

Nascida em Alagoa Grande (PB) em 1933, Margarida rompeu estruturas históricas ao assumir a presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de sua cidade. Por 12 anos, em plena ditadura militar e sob forte opressão do latifúndio, ela foi a voz dos camponeses que trabalhavam nos canaviais sob condições análogas à escravidão.  


Margarida transformou a realidade local ao mover mais de cem ações na Justiça do Trabalho para garantir direitos fundamentais mínimos:

  • Carteira de trabalho assinada  

  • Jornada de 8 horas diárias

  • Direito ao 13º salário e férias

  • Acesso à terra e à educação de jovens e adultos no campo


Sua firmeza diante de constantes ameaças de morte ficou eternizada em seu discurso no Dia do Trabalhador de 1983:


"Da luta eu não fujo. É melhor morrer na luta do que morrer de fome."  


O Atentado e a Semente

Em 12 de agosto de 1983, a violência dos latifundiários tentou calar sua voz. Margarida foi executada a tiros na porta de sua casa, na presença do marido e do filho pequeno.  


O crime chocou o país e ganhou repercussão internacional, sendo levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Contudo, a tentativa de silenciá-la teve efeito oposto: Margarida transformou-se em símbolo de resistência para milhões de brasileiras. Seu nome inspirou a Marcha das Margaridas, que periodicamente mobiliza milhares de mulheres do campo, da floresta e das águas rumo a Brasília.  


A Lei e o Propósito da Data

A oficialização deste dia no calendário de Estado ocorreu 29 anos após seu assassinato:

  • A Lei: A Lei Federal nº 12.641, sancionada em 15 de maio de 2012, instituiu oficialmente o 12 de agosto como o Dia Nacional dos Direitos Humanos no Brasil.  

  • O Propósito: A legislação tem o objetivo de eternizar o exemplo de Margarida e promover uma reflexão crítica e permanente no país. A data visa conscientizar a sociedade sobre a proteção dos defensores de direitos humanos, combater as desigualdades sociais e reforçar a garantia de dignidade, cidadania e justiça social a todos os cidadãos, especialmente aos mais vulneráveis.  


Em 2023, o legado de Margarida Maria Alves recebeu a mais alta honraria da memória nacional ao ter seu nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, depositado no Panteão da Pátria.  


Neste 12 de agosto, a Revista JS reforça a importância da preservação dos direitos fundamentais. Lembrar de Margarida Alves é reconhecer que o acesso à justiça e à dignidade do trabalho são pilares inegociáveis de uma sociedade democrática.



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