Afinal, o que é Familismo? A linha tênue entre o cuidado familiar e a omissão do Estado.
- Hermes Vissotto
- há 4 dias
- 2 min de leitura

Quando pensamos na instituição familiar, palavras como "cuidado", "acolhimento" e "proteção" surgem quase que instantaneamente. De fato, o ambiente familiar exerce um papel central na formação humana. No entanto, o que acontece quando o poder público se apoia nessa imagem romantizada para transferir as suas próprias obrigações para dentro da casa dos cidadãos? É nesse ponto crítico que esbarramos no conceito de Familismo.
Para profissionais do Serviço Social, da Saúde e para todos os defensores da garantia de direitos, compreender esse fenômeno é o primeiro passo para analisar de forma crítica a nossa sociedade e as políticas públicas atuais.
A conta não fecha: transformações sociais e sobrecarga
O grande equívoco da perspectiva familista é a sua desconexão com a realidade. Essas políticas são frequentemente desenhadas para um modelo de "família idealizada" que já não reflete o cotidiano da imensa maioria da população brasileira.
No discurso oficial, a família é exaltada como um santuário de proteção. Na prática, essa narrativa frequentemente mascara a ausência do Estado.
A garantia de direitos é um dever coletivo
Debater e criticar o familismo não significa, de forma alguma, diminuir a importância dos laços familiares. Pelo contrário: trata-se de defender a necessidade urgente de políticas públicas robustas e presentes.
As famílias brasileiras não podem ser abandonadas à própria sorte. É fundamental fortalecer redes de apoio e sistemas universais, como o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e o Sistema Único de Saúde (SUS). A proteção social e o acesso ao bem-estar são deveres coletivos e responsabilidades diretas do Estado, não um fardo solitário a ser carregado a portas fechadas.
A verdadeira proteção social só acontece quando o Estado não se isenta do seu papel.

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