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A Engrenagem da Dignidade e o Peso do Desvio: O Rastro da Corrupção no SUAS.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • há 8 horas
  • 2 min de leitura

A Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) não existem para entregar "ajuda" ou "caridade". No papel e na ética pública, o produto final entregue ao cidadão é a Proteção Social. Mas o que isso significa na prática? Significa que o Estado tem o dever de garantir que nenhuma intercorrência da vida, seja a perda de um emprego, uma deficiência ou a fragilidade da velhice, resulte na perda da humanidade do indivíduo.



O Curto-Circuito: Quando a Ética dá Lugar ao Esquema

No entanto, essa engrenagem de proteção é extremamente sensível à qualidade da gestão. Quando a Secretaria de Assistência Social ou as unidades de atendimento (CRAS e CREAS) são ocupadas por gestores sem ética, valores ou capacidade técnica, o direito é sequestrado.


A ausência de metas técnicas abre espaço para o uso político da pobreza. Sem uma gestão baseada em evidências e vigilância socioassistencial, os recursos passam a ser vistos como "verba disponível" para interesses particulares. Onde deveria haver um técnico qualificado analisando vulnerabilidades, coloca-se um aliado político distribuindo favores.



O Preço Humano: A Fome e o Abismo

Se o produto final deveria ser a emancipação, a corrupção entrega o seu oposto: a perpetuação da miséria. As consequências do desvio de recursos na Assistência Social são medidas em dor física e social.


A Desnutrição e a Saúde Fragilizada

Quando o recurso da segurança alimentar é desviado, o preço aparece na balança do posto de saúde. Crianças em fase de desenvolvimento sofrem danos cognitivos irreversíveis devido à desnutrição, porque a proteína que deveria estar na cesta básica foi convertida em propina ou desvio de finalidade.


O Ciclo Vicioso da Pobreza

A corrupção na assistência é uma "fábrica de pobreza". Ao não investir em programas de qualificação e no fortalecimento de vínculos familiares, a gestão corrupta mantém a família dependente. Uma família que não recebe o suporte adequado hoje é uma família que terá a próxima geração batendo à porta do CRAS amanhã. É o roubo do futuro.


As Mazelas Sociais e a Violência

Onde o Estado falha por corrupção, o crime organizado ou o abuso ocupam o espaço. O desvio de verba para centros de convivência de jovens significa mais adolescentes nas ruas, vulneráveis ao tráfico. A falta de equipes especializadas no CREAS significa que a violência doméstica continuará ocorrendo entre quatro paredes, sem interrupção, pois não há quem fiscalize ou acolha.


O Veredito


A corrupção no SUAS é um crime contra a humanidade de quem já tem quase nada.


Cada real desviado é um prego a mais no caixão da mobilidade social brasileira. Para que a Revista JS e a sociedade possam celebrar a justiça social, é preciso que a Assistência Social seja tratada como política de Estado, blindada contra amadores e protegida contra aqueles que veem, na fome do outro, uma oportunidade de negócio.


A dignidade não tem preço, mas a corrupção na assistência custa vidas.



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