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Vozes da Floresta em Códigos e Sons: Conheça os Dicionários Multimídia que Salvam Línguas Indígenas da Extinção.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Iniciativa pioneira une tecnologia social e saber ancestral para fortalecer a memória, a identidade e a autonomia cultural dos povos originários no Brasil.


Além de ser uma ferramenta essencial para a comunicação diária, a língua é o alicerce fundamental da identidade cultural de um povo. É por meio dela que tradições, conhecimentos sobre a medicina tradicional, crenças e cosmovisões atravessam gerações. No Brasil, país de riqueza linguística incalculável, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam a existência de cerca de 295 línguas indígenas vivas, faladas por centenas de etnias. Contudo, em virtude de pressões históricas e do apagamento cultural, muitas dessas línguas enfrentam o risco iminente de desaparecer.


Diante dessa urgência, a ciência e a sabedoria ancestral uniram forças em uma iniciativa transformadora: os Dicionários Multimídia para Línguas Indígenas prodoclin.museudoindio.gov.br .


Tecnologia Social a Serviço da Memória

Desenvolvido por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) em parceria direta com comunidades da Amazônia e com o suporte do Programa de Documentação de Línguas Indígenas (ProDocLin), do Museu do Índio, o projeto vai muito além de um dicionário impresso convencional. Trata-se de uma plataforma interativa concebida como uma verdadeira tecnologia social de salvaguarda do patrimônio imaterial.


Diferente de catálogos acadêmicos estáticos, a plataforma digital integra:

  • Registros de áudio de alta fidelidade: Gravados por falantes nativos para preservar a pronúncia, a entonação e as nuances fonéticas de cada termo;

  • Registros em vídeo e fotografia: Que contextualizam as palavras no uso cotidiano e ritualístico (como práticas de manejo, rituais, culinária e arte);

  • Formatação acessível e offline: Projetada para funcionar em computadores e aplicativos móveis (APK/HTML/PDF), garantindo que o material seja utilizado diretamente nas escolas das aldeias, independentemente do acesso à internet.


Autonomia e Protagonismo Indígena

O grande diferencial do projeto é a participação ativa dos próprios povos originários. As comunidades não figuram apenas como objeto de estudo, mas como coautoras e gestoras do processo. Jovens e anciãos trabalham lado a lado com linguistas e antropólogos para decidir quais palavras, cantos e histórias devem ser documentados.


Para as novas gerações, o acesso a esses acervos multimídia representa o fortalecimento do pertencimento e da autoestima cultural. Para a sociedade e a defesa dos direitos humanos, é a garantia de que a diversidade epistemológica e linguística do país permaneça viva.


"Preservar uma língua não é apenas guardar palavras em um arquivo digital; é garantir a continuidade de um modo único de compreender o mundo, a natureza e as relações humanas."


Serviço e Consulta

Os acervos e dicionários interativos de diversas etnias (como a Karajá e povos da Amazônia) estão disponíveis para consulta pública, apoiando pesquisas, projetos educacionais e o fortalecimento comunitário.


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