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Jornalistas indígenas lançam o manual 'Poranga Marandúa' para transformar a imprensa brasileira.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Desenvolvido por profissionais de mais de 40 povos, o documento inédito propõe diretrizes antirracistas e fortalece a narrativa a partir das línguas e territórios originários.


Nesta segunda-feira, 10 de agosto, a Câmara dos Deputados, em Brasília, foi palco do lançamento do manual de jornalismo indígena Poranga Marandúa. Trata-se de uma ferramenta inédita na imprensa brasileira, concebida para orientar profissionais de comunicação com termos, diretrizes éticas e princípios fundamentados sob a perspectiva dos próprios povos originários.  


A iniciativa é fruto de uma articulação que durou um ano e meio e envolveu comunicadores de mais de 40 povos indígenas, reunidos pela Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor). A primeira edição da obra contou com a edição e revisão do Instituto Kaingáng (Inka) e já está disponível gratuitamente em formato digital.  


"Este manual carrega essa diversidade e reafirma nosso compromisso com uma comunicação construída a partir dos nossos territórios, das nossas línguas e dos nossos modos de contar histórias." Luciene Kaxinawá, Coordenadora Geral da Abrinjor  


'Boa Notícia' na Língua Nheengatu

A escolha do título carrega forte simbolismo: na língua Nheengatu, pertencente à família linguística Tupi-Guarani, a expressão Poranga Marandúa significa precisamente "boa notícia". Para os idealizadores e membros da Abrinjor, a consolidação do projeto representa um marco histórico para o jornalismo nacional e para o combate à invisibilização.  


Além de atuar como guia prático nas redações, a publicação tem vocação para impactar a formação acadêmica e o ensino de jornalismo no país. Segundo Sônia Kaingáng, comunicadora do Inka e uma das pioneiras do jornalismo indígena no Brasil, a chegada ao espaço de debate público dá-se prioritariamente por meio do conhecimento.  


"A gente precisa destacar que chegamos aqui pela via da educação. Nós somos brasileiros e temos visto que muitos brasileiros querem uma via que não é a da educação." Sônia Kaingáng, Jornalista e Comunicadora do Inka  


Ferramenta Pedagógica Antirracista nas Universidades

A falta de abordagem adequada sobre as pautas indígenas nos cursos de graduação foi outro ponto de reflexão ressaltado no lançamento. Para a pesquisadora e comunicóloga Andreza Baré, a ausência de diretrizes específicas nas faculdades frequentemente faz com que novos jornalistas reproduzam estereótipos ou apaguem as especificidades dos povos originários.  


"Essa é uma grande oportunidade que a gente oferece para os currículos, para as ementas dos cursos de jornalismo, que inclua esse manual como uma ferramenta pedagógica de redação antirracista para falar de povos indígenas e de outros povos e comunidades tradicionais."Andreza Baré, Pesquisadora e Comunicóloga  


Destaques do Manual 'Poranga Marandúa'

  • Elaboração Coletiva: Produzido ao longo de 1,5 ano por jornalistas de mais de 40 etnias.  

  • Acesso Livre: Disponibilizado em formato digital e gratuito pelo Instituto Kaingáng (Inka).  

  • Foco Educacional: Orientado tanto para redações diárias quanto como diretriz pedagógica antirracista para universidades.  

  • Representatividade: Estimula a ocupação de espaços por comunicadores indígenas em veículos e assessorias de todo o país.  


Ocupação dos Espaços de Comunicação

Para Samela Sateré Mawé, assessora de comunicação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a publicação do manual cumpre também um papel incentivador. A expectativa é que o documento inspire e abra caminhos para que cada vez mais jovens indígenas ingressem nos canais de comunicação corporativos, veículos da imprensa tradicional e assessorias de entidades representativas por todo o Brasil.  


Com linguagem acessível, fundamentação conceitual e orientações diretas para o cotidiano profissional, o Poranga Marandúa estabelece um divisor de águas para a construção de um jornalismo mais plural, preciso e respeitoso com a memória e a presença dos povos originários no Brasil.  



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