CNE estabelece filtro ético-pedagógico e proíbe uso de Inteligência Artificial para correção de provas e redações no Brasil.
- Hermes Vissotto

- há 1 dia
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O Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC), aprovou nesta terça-feira (1º) um conjunto de regras inédito para regular o avanço da tecnologia nas salas de aula brasileiras. Denominado Diretrizes Orientadoras da Utilização da Inteligência Artificial na Educação Brasileira, o documento estabelece limites claros para o uso de algoritmos, priorizando a mediação humana e a privacidade dos estudantes.
A medida serve como um marco regulatório para instituições públicas e privadas de todas as etapas e modalidades do ensino — da educação infantil ao ensino superior.
"A Inteligência Artificial deve ampliar as capacidades humanas e educacionais, sem substituir a responsabilidade, a mediação pedagógica e o julgamento das pessoas."— Diretrizes Orientadoras da IA na Educação (CNE)
O que muda na prática: o que fica expressamente proibido
As novas regras impõem veto imediato a práticas automáticas que vinham ganhando espaço em edtechs e redes de ensino. Veja os pontos de restrição estabelecidos pelo CNE:
Proibição de correção por IA: Fica vetado o uso de algoritmos para correção de redações ou avaliações dissertativas em todas as etapas de ensino — inclusive como ferramenta de pré-correção ou sugestão de nota.
Proibição de reconhecimento emocional: Sistemas destinados a mapear ou classificar emoções de alunos ou professores estão banidos do ambiente educacional.
Fim das decisões 100% automatizadas: Nenhuma decisão que afete a trajetória acadêmica, aprovação ou retenção do estudante poderá ser tomada de forma automatizada por plataformas.
Proteção de dados e privacidade: Ficam vedados a vigilância biométrica contínua e o uso comercial ou publicitário de dados de crianças e adolescentes.
Detectores de plágio sem mediação: É proibida a aplicação de punições disciplinares baseadas exclusivamente em relatórios de ferramentas de detecção de plágio por IA.
Séries iniciais do Ensino Fundamental: Crianças dos anos iniciais não poderão utilizar ferramentas de IA generativa sem a presença e acompanhamento direto de educadores.
Prazos e adaptação dos sistemas de ensino
As diretrizes passam a ter força normativa assim que forem publicadas no Diário Oficial da União (DOU). No entanto, o CNE previu uma transição gradual para as redes públicas e privadas adaptarem seus projetos pedagógicos, contratos de tecnologia e diretrizes internas:
Etapa | Prazo e Aplicação |
Entrada em vigor | A partir da publicação oficial no Diário Oficial da União (DOU). |
Prazo de adequação | 12 meses para escolas, universidades e secretarias de educação ajustarem seus processos às novas exigências éticas. |
Abrangência | Educação Básica (Infantil, Fundamental, Médio) e Ensino Superior, das redes públicas e privadas. |

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