Igreja Presbiteriana Unida aprova inclusão de pessoas LGBTQIAPN+ na membresia e no ministério pastoral.
- Hermes Vissotto

- 23 de jul.
- 2 min de leitura

Decisão histórica tomada na Assembleia Geral em Salvador estabelece diretrizes de acolhimento e veta discursos de ódio e práticas de "cura gay".
Em um marco para as denominações protestantes no Brasil, a Igreja Presbiteriana Unida (IPU) aprovou uma medida que permite a recepção de pessoas LGBTQIAPN+ como membros plenos de suas comunidades. Além disso, a deliberação autoriza que fiéis da comunidade exerçam a liderança pastoral, desde que preencham os critérios ordinários estabelecidos pela denominação para o exercício do ministério.
A decisão foi oficializada durante a Assembleia Geral da denominação, realizada entre os dias 17 e 19 de julho de 2026, em Salvador (BA). O posicionamento aprova o relatório final sobre o tema e fixa novas diretrizes institucionais.
Discussão madura e diretrizes de inclusão
Embora a medida não altere formalmente a estrutura doutrinária da igreja nem imponha uma orientação compulsória a todas as congregações locais, respeitando a autonomia federativa, ela estabelece um referencial oficial para o acolhimento e a ordenação pastoral.
A pauta vinha sendo debatida de forma contínua desde 2023, quando a denominação instituiu a Comissão Especial para Assuntos de Gênero. O grupo de trabalho contou com a participação de integrantes da comunidade LGBTQIAPN+, representantes de diversos presbitérios e lideranças pastorais que já realizavam celebrações de casamentos homoafetivos. Ao longo dos últimos três anos, a comissão revisou documentos normativos da igreja e promoveu encontros e escutas com lideranças locais.
Princípios e compromissos aprovados:
Proibição de discriminação: Vetados discursos de ódio, atitudes discriminatórias e qualquer violência simbólica, espiritual ou psicológica contra pessoas homoafetivas.
Rejeição à "cura gay": Repúdio formal a abordagens de reorientação sexual, amplamente contestadas por entidades médicas e psicológicas.
Garantia de acolhimento: Abertura para a integração plena na membresia e participação na vida comunitária.
Acesso ao ministério: Possibilidade de ordenação pastoral para pessoas LGBTQIAPN+.
Contexto histórico
A Igreja Presbiteriana Unida (IPU) possui um histórico ligado à defesa das liberdades civis e direitos humanos no país. A denominação surgiu na década de 1970, resultado do desligamento de pastores e comunidades da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) motivado por divergências quanto ao engajamento em pautas de democracia, justiça social e direitos humanos durante a ditadura militar.
Com a atual deliberação, a IPU junta-se a um grupo de denominações históricas no Brasil, a exemplo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, que reconhecem institucionalmente a participação e a ordenação plena de pessoas LGBTQIAPN+.

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