COP 30: Indígenas fecham entrada da Blue Zone.
- Hermes Vissotto

- 15 de nov.
- 2 min de leitura

Na manhã de 14 de novembro de 2025, um grupo de aproximadamente 90 indígenas da etnia Munduruku realizou um bloqueio na entrada principal da Blue Zone da COP30, em Belém do Pará. O ato buscou chamar a atenção das autoridades brasileiras e internacionais para as demandas urgentes dos povos originários sobre seus territórios e participação nas decisões climáticas.
O que motivou o protesto
Os povos indígenas consideram que suas vozes ainda não são ouvidas na proporção do papel que exercem na proteção da Amazônia e na preservação do clima. Eles reivindicam participação direta nas negociações oficiais da conferência e a garantia de consulta prévia sobre projetos que impactam seus territórios. Entre os principais pontos levantados pelos manifestantes estão a demarcação de terras, a proteção dos recursos naturais e a revisão de grandes obras de infraestrutura como hidrovias e ferrovias que avançam sobre as áreas tradicionais.
As lideranças afirmam que a defesa da floresta é indissociável da proteção de seus povos e que a crise climática afeta de maneira mais severa as populações que vivem nas fronteiras do desmatamento.
Como foi a manifestação
O bloqueio ocorreu logo nas primeiras horas do dia e interrompeu o fluxo de entrada de delegados e representantes internacionais na conferência. A segurança orientou o deslocamento para um acesso alternativo, o que causou atrasos e filas. Apesar do impacto na dinâmica da conferência, o ato foi pacífico e marcado por cantos, cartazes e apelos por diálogo.
Os manifestantes deixaram claro o principal objetivo: serem recebidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para apresentar suas demandas diretamente.
Desdobramentos do episódio
Após cerca de quatro horas de mobilização, as lideranças indígenas foram recebidas pelo presidente da COP30, em conjunto com ministras do governo federal. Essa conversa foi considerada um avanço no diálogo institucional, porém não supriu completamente a demanda central do movimento, que era a interlocução direta com o presidente Lula.
O protesto ampliou a visibilidade da pauta indígena dentro da conferência e reforçou o protagonismo dos povos originários na defesa da Amazônia e no enfrentamento da emergência climática.
Importância do ato para a COP30
A conferência deste ano ocorre no coração da Amazônia, onde a disputa por território, recursos naturais e direitos sociais ganha contornos ainda mais intensos. Ao bloquear a entrada da Blue Zone, os indígenas chamaram a atenção mundial para a necessidade de uma transição climática justa que respeite os povos que historicamente protegem a floresta.
A presença e o posicionamento firme dos povos indígenas na COP30 reforçam que não haverá soluções efetivas para a crise climática sem garantir direitos, segurança e autonomia aos guardiões da biodiversidade amazônica.
Fontes
Agência Brasil
Poder 360
CNN Brasil
Terra
Revista Cenarium
Gazeta do Povo
InfoMoney

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